Publicado por: filonerd | janeiro 2, 2010

Política e religião não se discute

A cena é a seguinte: estou na sala, discutindo com uma cabeça-dura sobre minhas opiniões em relação à existência de um deus durante a troca de professores entre as salas. Depois de uma serie de perguntes bestas, começo a explicar a teoria do Big Bang, e digo que reconheço deus como uma energia. A professora entra na sala e a menina berra: “FESSORA, você acha que deus é uma energia?!”. A professora responde: “Sim. Mas política e religião não se discute”. Aquelas palavras ficaram marcadas na minha mente. Concordei.

Faz alguns meses que isso aconteceu, mas eu ainda me lembro exatamente da discussão. Sempre me concentro nas palavras de minha professora e sempre fico irritado com isso um fato terrível, que abala as estruturas de qualquer país:  pessoas que não querem mais discutir sobre assuntos relevantes. Estão ficando cada vez mais passivas e alienadas a frente da política, da religião e de outros fatores que estão presentes em toda nossa vida.

Isso me remete a história de nosso país. Pegarei a ditadura como exemplo. Durante ess período educação era muito voltada para areas mais sociais, com a Filosofia e a Sociologia. Expandiram-se universidades e criou-se o vestibular. Meu deus, as pessoas estavam conscientes de quanto estavam presas a um sistema duro e que pregava uma anti-liberdade de expressão! Quem diria que a época mais rígida tambem foi a mais bem formulada no quesito da educação. Devido a tanta pressão da população, que estava indignada, o governo ditatorial ficou totalmente instável. Terminou deixando uma grande divida externa para o Brasil, mas nunca antes na história de nosso país, tanta coisa foi aprendida e lecionada.

Turma da Mônica reivindicando Diretas Já. JÁ!

Outro grande exemplo é a Revolução Meiji, que ocorreu no Japão, entre os anos 1866 a 1869. Durante esse pequeno espaço de tempo, o país investiu intensamente na educação, reagindo a crise que o abalava. Resultado: hoje o Japão é uma das maiores potências econômicas mundiais.

Poderia citar varios outros exemplos: Noruega, Austrália, Canadá… O que só prova uma filosofia que devia ser discutida e ensinada em todos os centros educacionais: discutir sobre a sociedade com a mente aberta só traz benefícios. E a unica maneira de passar isso para as pessoas é por meio da educação.

Felizes nós que discutimos e refletimos. Pois afinal, a união faz a força, e o nerd power conquistará o mundo. Abraços e um Feliz 2010.

P.S.: para quem liga para detalhes, atualmente sigo alguns dos principios panteístas.

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Responses

  1. Eu lembro que eu tinha esse jargão quando eu era praticante do cristianismo, instalado como resposta resposta rápida a todos os problemas.
    Hoje ateu, eu vejo isso como uma estratégia de dominação.
    Discutir antes de tudo é pensar no assunto. Deixar de pensar política é um caos. Deixar de discutir religião é uma forma (gradual e e lenta ) de aumentar o preconceito.

    • Exato. E quanto mais preconceituosa a sociedade fica, mais o governo se apossa dela. É a velha historia de diferentes meios para chegar a um fim semelhante. Porem, esse meio cujos paises mais pobres optam, não poderá leva-los a lugar nenhum. O Brasil tem uma economia forte, mas em fatores sociais ele é uma lástima. Do que adianta o PIB aumentar se isso não é proporcional aos padrões de vida da população?
      Quanto à religião: esse aumento gradual e lento tem crescido desde a criação da Igreja Catolica. Desde então foram criados muitos esteriotipos e regras, alem de distorções de textos importantes.

  2. Naquela época da ditadura, a manipulação se dava através da educação e dos meios de informação que todos possuíam na época.

    Hoje em dia, com toda essa massificação dos meios de comunicação, informação instantânea a acesso de todos, etc acho que a melhor estratégia de alienação está justamente no inverso, ou seja, no total desleixo do sistema educacional do nosso país e na alienação no que se refere à discussão de questões como política e religião – agora, além de haver o tabu, há o fato de que ninguém mais tem interesse em discutir o assunto, pois não possui intelecto ou informação socio-cultural para tal.

    Ninguém repara nisso porque todo dia está sendo descarregado em todos nós uma quantidade enorme de diferentes formas de entretenimento, de forma que sirva ao propósito de alienação. No final das contas, cada vez menos temos acesso à verdadeira informação, àquilo que realmente importa e afeta nossas vidas, enquanto deixamos que algo ou alguém conduza nossa economia, nossa cultura, da forma como bem entender, sem questionamentos.

    Um exemplo disso é esse próprio texto; aposto que a maioria das pessoas, ao ver o tamanho disso aqui, apenas passou o olho e partiu para outra página, aba, post, etc.

    Eu sou católico praticante, mas sempre procuro pensar e refletir acerca da religião que pratico. Eu simplesmente me recuso a aceitar alguma coisa simplesmente porque ela é, sem antes descobrir sobre a origem daquilo, a razão da existência de tal, etc. E a resposta está sempre dentro de si, e não em algum outro lugar qualquer.

    Estamos sendo treinados a sentir preguiça em pensar

    Parece um pouco conspiratório, mas é o que tem acontecido, de certa forma, se colocarmos na prática. É muito mais interessante falar sobre futebol do que sobre política – às vezes, soa até embaraçoso tratar do último assunto.

    • Belas palavras :D

      • prontofalei =D

    • Não só a o entretenimento, mas o trágico também!

  3. É o esquema de sempre: sociedades burras são mais manipuláveis. Não é do interesse do governo ou da maior parte das religiões que as pessoas pensem e questionem.

    • Lideres tem o poder não serem questionados pela maioria do grupo que dominam :/

      • Não, eles não são questionados enquanto ele agrada um grupo menor e superior.

  4. A época da ditadura foi uma época que as pessoas, não só no Brasil, acreditavam na reformulação da sociedade muito mais do que hoje em dia. Era uma época que as pessoas estava cansadas do domínio e queriam jogar fora aquele papo nazista de “ordem e progresso” e “valores familiares”.

    Mas não sei se elas eram realmente mais conscientes. Quem lutava pelo povo era uma classe-média que realmente tinha estudo, mas o povo pelo qual eles lutavam não tinha muita consciência da gravidade da situação, tanto que a ditadura resistiu 20 anos e até teve forte apoio popular no início.
    Uma das coisas que matou a ditadura foi a transformação do povo que dava valor à “moral e bons costumes” e à lei de Deus num povo que dava valor ao indivíduo e a “liberdade”.

    Hoje já nos transformamos no povo que cultua as imagens e o consumo. Parece que já percebemos que já não podemos ser heróis e decidimos afogar as mágoas comprando marcas e grifes.

    Mas como você disse, com certeza o nerd power e a internet vieram pra mudar isso :D

  5. Atrasado no comentário mas lá vai:

    Gostei bastante do texto, e concordo; ciências humanas são absurdamente importantes, mas as pessoas (inclusive vários ex-colegas meus do colégio, pois agora faço comunicação social e aí o perfil de pessoa é diferente) tem um puta preconceito e já cansei de ouvir “filosofia não serve pra nada”. Isso sempre me deixou muito puto, e sempre foi ponto de partida de intermináveis discussões em que eu defendia dando argumentos sólidos e mais 4 ou 5 pessoas me olhavam respondendo “dã, claro que não”.
    Quanto à ditadura, não sei se foi dito pelo 00_Agent, mas o que houve realmente foi uma perseguição dos militares quanto aos professores de ciências sociais. Minha mãe fez Sociologia na PUC-RJ naquela época, e me conta diversas situações, dentre elas: militares infiltrados (que acabavam sendo descobertos pois, realmente, não se encaixavam no perfil) e desaparecimento de ótimos professores e colegas. Esses ensinos foram caçados e exterminados do Brasil na época da ditadura com o intuito de não criar mentes pensantes e questionadoras. Assim, naquela época criou-se uma forte tendência de seguir em carreiras como engenharia. Esse é, pra mim, um dos principais motivos das ciências sociais serem tratadas com tanto desprezo como é até hoje; a herança de uma população que passou por uma (ou mais) geração obrigada a considerar essas ciências como coisas inúteis e desnecessárias. É uma tristeza.

    Quanto ao Japão, além dessa revolução, teve a segunda guerra mundial. Eles tiveram Hiroshima e Nagasaki devastadas pela bomba atômica e, no pós-guerra, tiveram aquele benefício em dinheiro dos EUA para se reconstruir. Não preciso nem continuar e dizer que esse foi mais um momento em que todo o dinheiro, quase, foi aplicado em educação. O resultado foi um país que foi totalmente destruído para ser reconstruído e, em pouco tempo, se tornar essa economia tão forte que é.


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